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#EuAcreditoEuFaço





Metamorfose Ambulante


A correria da vida muitas vezes tende a parecer sufocante, o trabalho, a família, as obrigações e as amizades, uma vida inteira construída com enfoque no outro. Numa rotina em que o eu é esquecido, como lidar com todas as pressões externas e ainda arrumarmos tempo para lidar com os nossos próprios questionamentos e vontades? 

Testes do Buzzfeed, práticas de meditação, exercícios milagrosos de concentração entre outras dinâmicas. Podemos listar os inúmeros artifícios de hoje em dia que nos prometem uma volta a quem ficou perdido no meio do caminho, “o nosso eu”. 

Em um mundo em que vivemos constantemente conectados, os estímulos surgem das mais diversas áreas e ocasiões já comuns ao nosso dia a dia, sem ao menos tomarmos nota do que realmente esta acontecendo ao nosso redor. 

Notícias das mais horripilantes e catastróficas consomem a TV, publicações e mais publicações que chegam atônitas, como um turbilhão e amontoam-se em seu feed de noticias, e-mails do chefe, mensagens de bom dia encaminhadas para uma agenda inteira de contatos num ato automático de um simples click. É difícil separar o existir do coexistir. Sendo existir, aquele que implica viver por si, construindo seus próprios caminhos, coexistir, viver simultaneamente ao outro, conviver. 

Pressão familiar, ausência de dinheiro, exigências que surgem no trabalho e na faculdade são alguns dos fatores mais comuns que nos separam cada vez mais, quase que num exercício diário, em que há uma perda de tudo que um dia foi idealizado para quem se quer ser e o que se é desejado desde que nos conhecemos por gente. 

Por mais que o homem pareça ter evoluído em diversos aspectos da vida, sejam eles tecnológicos, científicos e práticos, muito ainda nos falta quanto ao entendimento do ser, quem somos e o que almejamos. 

Aprendemos a dominar o fogo a milhares de anos atrás, cultivamos e aprimoramos práticas de agricultura e artesanato, o comércio virou nossa sede de sucesso, governos foram instaurados com a mesma facilidade em que foram derrubados, demarcamos a terra e exploramos o universo estendendo uma bandeira que mais parece dizer: SIM, ESTIVEMOS AQUI! 

De extrema complexidade, o estudo do ser é matéria primária da psicologia, da Filosofia existencialista e de muitos outros campos que se propõem a investigarem questões do eu, sendo elas das mais antigas as mais contemporâneas, que assolam o mundo moderno. Como definir, separar e colocar numa caixinha aquilo que nem ao menos se compreende? Conceitualizar pensamentos que vem e voltam como explorar um céu onde as nuvens perpassam e mudam de lugar e forma. 

Com a psicologia, estudam-se os processos nos quais se dão nossas emoções, pensamentos e razão que interferem intimamente no comportamento humano. Psiquê vem de “alma” e logia de “estudo de”. Na Filosofia existencialista o eu é colocado como objeto central de estudo, em que “A existência precede a essência” (Jean-Paul Sartre), e tudo que somos e viremos a ser um dia parte de um constante processo de transformação e desagregação, em que primeiro existimos em carne para depois nos tornarmos alguém. O existencialismo implica que a vida seja uma jornada de “busca do ser”. 

Todo esse emaranhado de emoções, dúvidas e indagações percorrem o indivíduo desde que o mesmo decidiu sair para caçar alimento para sua tribo com fome, quando foi em busca de plantas e ervas medicinais para curar os enfermos, ou até mesmo a coragem que se deu para desbravar novos continentes. Toda descoberta parte de uma pergunta, pergunta já feita a milhares de anos por muitos outros seres tão semelhantes a você e ao mesmo tempo com vidas tão diferentes da sua. 

Vivenciamos momentos de calmaria que são intercalados com a fúria, a vaidade, a preguiça, dentre outros sentimentos comuns ao ser humano. E todos eles se apresentam como uma batalha muito individual dentro de nós mesmos, as quais constantemente procuramos atingir uma ideia de perfeição inatingível. Erros e acertos nos compõem e nos edificam dos pés a cabeça, encontros e desencontros, perdas e descobertas fazem parte da nossa história e nos constroem como indivíduos resistentes a simples e ao mesmo tempo tão complexa vida. Como numa mistura homogênea que molda quem somos, e o impacto que decidimos causar por meio de nossas escolhas

Como escolhemos viver denota como nos relacionamos com o mundo e construímos um diálogo mais saudável com nós mesmos, respeitando nossas disposições e vontades. Aquilo que é cuidado e dado à devida atenção próspera. 

O estar bem parece objeto inalcançável diante de todos os padrões impostos de como se deve viver a vida, mais uma vez, enfeitiçados por uma falsa ideia de perfeição nos vemos perdidos tentando ser algo que não nos contempla completamente. 

Nada precisa ser tão difícil assim. 

Ao abandonar a ideia de que precisamos atingir as expectativas e o bem estar do outro, adentramos num pensamento de liberdade a ser alcançada. Tudo que se coloca como meta, estipula-se futuramente como apenas mais um tijolo no edifício de quem se é. Deixando de lado todos e quaisquer discursos de falsa modéstia, constrói-se diariamente um sentimento de plenitude. Em que a cada acordar entende-se que só a tempo para ser quem realmente se quer ser. 

O auto perdão vira chave para a melhora, entender que, como agentes passivos de sentimentos inerente a nós, erramos seja com o próximo, seja com nós mesmos e podemos reconhecer e praticar a evolução constante. Evoluir não está em ter tudo que se deseja, mas em fazer o melhor com o que se tem. 

Entender suas prioridades e valores e avaliá-las. O que você considera mais importante na vida? E em como seus pequenos atos no dia a dia podem deixá-lo mais próximo de se tornar quem sempre sonhou. Prioridades mudam como as estações do ano, valores apenas se aprimoram. 

Não é sobre acordar todo dia com o pé direito enxergando apenas a beleza do mundo, mas em como aprender a lidar com os dias ruins, com a tristeza, a ansiedade e o sentimento de perda. Viver implica sentir, sentir tudo de uma vez ou em etapas, de qualquer forma, sentir é válido e nos separa do inumano. 

O verdadeiro progresso só pode ser denotado por nos mesmos, agentes ativos de nossas escolhas, ao melhor avaliarmos as situações que se colocam, sabendo reconhecer o momento em que estamos da vida e o melhor a se tirar de cada situação, seja ela ruim ou a melhor que já acreditamos ter vivido. 

Sempre fui de acreditar que toda conversa com o outro, o diferente, é válido, não só para conhecermos sobre o que nos é alheio, mas também para aprendermos mais sobre nós mesmos. Todos que cruzamos na rua possuem uma imensa carga de vivência e lições a serem passadas para frente, sendo elas boas ou ruins, quem somos de fato é diariamente construído por nossas experiências. A base da ignorância é a falta de (re)conhecimento do que nos é diferente. 

Se pararmos por um minuto para questionarmos a causa dos problemas que devoram a humanidade, perceberemos que eles estão por todos os lados e isso por muitas vezes nos causa desespero e nos paralisa. 

Muitos desses problemas se fundamentam em pessoas ou grupos de pessoas que não buscaram a autocompreensão e por isso, nem ao menos obtiveram sucesso em compreender o outro. 

Entender que a sociedade, é uma constante mudança, nas palavras de Raul Seixas “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. 

Aceitando e compreendendo modificações de rotas e tornando-se parte delas, buscando novos caminhos, em uma constante transformação do velho, dando espaço ao novo e a novas perspectivas de vida. 

Não se sentir culpado por dedicar um tempo a si em meio a uma rotina exaustiva, afinal, somos nossa primeira e última companhia até o final da vida. O zelo, o reconhecimento de nossas necessidades é essencial não só para não pirarmos, mas também para sabermos a hora de parar de insistir em algo que já não nos faz bem ou não se adequa a vida que adotamos. 

Cuidar de si mesmo não esta só em cultivar uma mentalidade limpa e sã, mas em adotar práticas no dia a dia que podem se mesclar a rotina e tornar os dias mais fáceis a serem vividos, é aquele famoso “um dia de cada vez”. 

Mudar aquele objeto de lugar, adotar um novo corte de cabelo ou uma forma nova de se vestir. Ir ao restaurante que sempre quis, ou adicionar uma hora de leitura no seu dia corrido.

Respirar e se dar conta de tudo que já foi vivido, de toda beleza que o cerca e que vem de dentro para fora. 

Ressignificando momentos, pessoas, bares e vielas. Criando novas rotinas, mudando o trajeto ou decidindo dar meia volta, você é o ser ativo da sua própria mudança. Sendo nosso corpo um universo, existem diversas possibilidades em habitá-lo, mudá-lo e levá-lo para onde bem quisermos. 

Mova-se, entenda-se e a gratidão vem de encontro ao ser.

Até breve e Gratidão. 

Marcos Torres Leão 

Master Coach Ericksoniano e Constelador

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